Confesso: mesmo tendo feito um curso como jornalismo, no qual metade das pessoas quer ser revolucionário quando crescer, eu nunca quis mudar o mundo, nem a imprensa e nem nada. Sou revolucionária "enrrustida", daquelas que se contenta em dizer para as amigas que posaria nua (pelo dinheiro e pela vaidade) ou então que faria um aborto (quanto a isso eu até já mudei de opinião).
Por esse motivo é que, depois de ver o filme da Bruna Surfistinha é que eu fiquei mais fã dela. Já tinha lido o Doce Veneno do Escorpião, que também adorei, mas o filme foi muito bom. Gente, pensa só: ela escolheu ser prostituta! Ela escolheu! Não foi a vida que a levou para esse caminho. Ela tinha o que muitas garotas querem e, no entanto resolveu vender o corpo!
Não, não acho lindo ser profissional do sexo. Acho até que é um ofício muito penoso, difícil para quem quer que seja. Deixar que qualquer pessoa te toque intimamente, dizer o que bem quer e fazer o que bem entender, não é para qualquer um.
Na minha cabeça de revolucionária de mentirinha, admiro a cabeça das mulheres que tomam as rédeas da sua própria vida para controlar seu destino. É por isso que digo que sou fã da Bruna. Admiro também outras personagens, como Aurélia Camargo, muito bem descrita por José de Alencar em Senhora. Ela fez o que secretamente 99% das mulheres gostariam de fazer e não podem: ela comprou o marido. Tá, ela gostava dele, mas comprá-lo foi suficiente para que ele sentisse muito humilhado. Beeeeem feito.
E é por isso que eu pergunto: Quantas de nós mulheres não fizemos o curso superior que o papai escolheu? Fizemos a pós que estava disponível ali na faculdade da esquina? Brincamos somente com as coleguinhas da sala de aula? Quantas de nós engolimos milhões de sapos sem vomitar? E quantas de nós vomitamos e fomos punidas por isso? Quantas aceitamos condições de trabalho terríveis, a troco de um salário pequeno, por falta de opção? Quantas de nós fomos ensinadas a reprimir todo e qualquer desejo em relação ao sexo oposto? Vai me dizer que não fomos educadas para dizer não até que a aliança de ouro estivesse na mão esquerda?
Mais uma vez eu digo: não faço apologia à profissão de prostituta. Mas admiro a coragem delas. Por essas e outras é que eu sou fã da Bruna Surfistinha.


