quarta-feira, 23 de março de 2011

Sou fã da Bruna Surfistinha


Confesso: mesmo tendo feito um curso como jornalismo, no qual metade das pessoas quer ser revolucionário quando crescer, eu nunca quis mudar o mundo, nem a imprensa e nem nada. Sou revolucionária "enrrustida", daquelas que se contenta em dizer para as amigas que posaria nua (pelo dinheiro e pela vaidade) ou então que faria um aborto (quanto a isso eu até já mudei de opinião).

Por esse motivo é que, depois de ver o filme da Bruna Surfistinha é que eu fiquei mais fã dela. Já tinha lido o Doce Veneno do Escorpião, que também adorei, mas o filme foi muito bom. Gente, pensa só: ela escolheu ser prostituta! Ela escolheu! Não foi a vida que a levou para esse caminho. Ela tinha o que muitas garotas querem e, no entanto resolveu vender o corpo!

Não, não acho lindo ser profissional do sexo. Acho até que é um ofício muito penoso, difícil para quem quer que seja. Deixar que qualquer pessoa te toque intimamente, dizer o que bem quer e fazer o que bem entender, não é para qualquer um.

Na minha cabeça de revolucionária de mentirinha, admiro a cabeça das mulheres que tomam as rédeas da sua própria vida para controlar seu destino. É por isso que digo que sou fã da Bruna. Admiro também outras personagens, como Aurélia Camargo, muito bem descrita por José de Alencar em Senhora. Ela fez o que secretamente 99% das mulheres gostariam de fazer e não podem: ela comprou o marido. Tá, ela gostava dele, mas comprá-lo foi suficiente para que ele sentisse muito humilhado. Beeeeem feito.

E é por isso que eu pergunto: Quantas de nós mulheres não fizemos o curso superior que o papai escolheu? Fizemos a pós que estava disponível ali na faculdade da esquina? Brincamos somente com as coleguinhas da sala de aula? Quantas de nós engolimos milhões de sapos sem vomitar? E quantas de nós vomitamos e fomos punidas por isso? Quantas aceitamos condições de trabalho terríveis, a troco de um salário pequeno, por falta de opção? Quantas de nós fomos ensinadas a reprimir todo e qualquer desejo em relação ao sexo oposto? Vai me dizer que não fomos educadas para dizer não até que a aliança de ouro estivesse na mão esquerda?

Mais uma vez eu digo: não faço apologia à profissão de prostituta. Mas admiro a coragem delas. Por essas e outras é que eu sou fã da Bruna Surfistinha.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nostalgia

No último final de semana tive uma experiência agradável como há muito tempo não tinha: passei a tarde às voltas com grupos de adolescentes, falando sobre sexo, drogas, virgindade, paqueras, fofocas entre outros assuntos.  Tudo isso para fazer uma matéria para a revista Criativa.

Minha primeira parada foi na casa da minha prima Beatriz. Hoje com 14 anos, ela foi a primeira pessoa em quem eu pensei para falar de adolescência. O mais legal foi que ela e as amigas me atenderam de prontidão, responderam tudo o que eu perguntei e no final da contas ainda comemos bolo de chocolate!

Bia e suas amigas são quietinhas, comportamento próprio da idade mesmo, mas gostei de ver que todas elas têm a cabeça no lugar, conversam com suas mães sobre sexo e tiram suas dúvidas a respeito disso. Pensam em futuro, em faculdade, em casamento.

Depois fui conversar com a Mariana, sobrinha da minha amiga Léia. Estava ela lá, cheia de vida, com o cabelo liso escorrido por conta de uma escova progressiva, as pontas pintadas de loiro e com aparelhos nos dentes.

A entrevista seguiu ao som de muitos “aí” e “tipo assim”. Vez ou outra Mariana soltava um grito estridente e gesticulava bastante para contadas todas as suas histórias. E ao falar da idade então? “Eu tenho 15, mas pode falar que é 16, porque meu aniversário é em outubro, já tá chegando!” Primeiro detalhe: estamos no mês de março. Segundo detalhe: eu também faço aniversário em outubro e não saio por aí falando que tenho 31.

Como cresci em Andradina, cidade em que Mariana mora, ela tem hoje os mesmos professores que eu tive no ensino médio. E eles não mudaram em nada, pelo que pude apurar. Os conhecidos também são os mesmos e me lembraram de como o tempo passa...

O namorado de Fernanda, amiga da Mari que também participou da entrevista, é primo de uma das meninas que era da minha tchurma. Me lembro dele com três anos de idade com um terninho todo impecável no aniversário de 15 anos da prima. Outra surpresa foi ver que já peguei no colo, inclusive dei mamadeira, para outro amigo delas.

Percebi sim que o tempo passa, mas desta vez não tive dor no coração. Passar a tarde com elas me fez ver quais são os valores que eu quero ensinar para minha filha que vai nascer em breve. Me fez esquecer meus problemas pessoais e me lembrar do lado bom que a profissão de jornalista ainda me reserva. Me fez lembrar de uma época na qual não existia aluguel, conta de cartão de crédito e nem mesmo conta em banco. Uma época em que minha grande preocupação era saber com que roupa eu ia sair no final de semana.

A espontaneidade da Mariana é algo peculiar. Ela fala o que pensa, na hora que quer, do jeito que quer e não liga para o que os outros vão falar. Foi bom perceber que eu era assim e é deste jeito que eu quero que minha filha seja. Só quero que a Juju estude um pouco mais do que a Mari... (minha única ressalva).

Mesmo sem saber o paradeiro da maioria das meninas e dos meninos que eram da minha tchurminha, são pessoas que eu vou guardar para sempre no meu coração e que de alguma forma contribuíram para o meu crescimento pessoal. A nostalgia do momento me fez lembrar como era gostoso dormir na casa da Thaís, nadar na casa da Joice, fazer churrasco na Mariana, ir para a fazenda em Guaraçaí, ir para o rancho em Pereira Barreto, tomar porre de vinho e acabar com a garrafa de gim da tia Dagmar.

Às meninas que eu entrevistei, muito obrigada do fundo do coração, por terem compartilhado comigo suas histórias e por terem me proporcionado algumas das minhas horas mais agradáveis nas últimas semanas. Àqueles que de alguma forma fizeram parte da minha adolescência, também muito obrigada por terem protagonizado junto comigo algumas das histórias mais legais que hoje compartilho com minhas primas, com as sobrinhas das minhas amigas e com certeza compartilharei com a minha filha.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E o mundo ficou cor de rosa!

E eis que finalmente descobrimos o sexo do nosso bebê. É uma menina. A médica viu várias vezes e depois confirmou: uma garotinha. É a nossa Juliana que vem por aí. A julgar pelo tanto que ela mexia na barriga, essa guria promete ser igual a mãe...rs....

O nome Juliana foi o Rafa que escolheu, antes mesmo da gente casar já sabia que seria esse o nome se tivéssemos uma filha. Ele diz que sempre gostou do nome, só não sabe dizer porquê. A gente se emocionou quando ouviu o coração dela batendo forte no ultrassom.

As avós choraram no telefone, cada uma em sua cidade. Foi uma alegria geral. E os pensamentos então? Gente, quem é mãe de menina sabe o que eu digo: o mundo todo fica cor de rosa. E pensar que a minha cor preferida é azul...